‘Jamais ordenei ou coordenei ataques a nenhum dos chefes militares’, diz Braga Netto
O general Walter Souza Braga Netto negou, nesta terça-feira (10), qualquer atitude para intimidar chefes das Forças Armadas na tentativa de pressioná-los a aderir a um suposto plano golpista.
Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, o candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, derrotada nas urnas em 2022, teria comandado uma onda de ataques aos comandantes militares que se recusaram a embarcar no golpe.
Braga Netto está preso no Rio de Janeiro, portanto, foi interrogado por videoconferência, nesta terça-feira (10), acompanhado de dois advogados. Ele foi o último a ser ouvido na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Relator do processo, Moraes questionou Braga Netto sobre as denúncias de que ele teria ordenado ações para pressionar os comandantes Freire Gomes (Exército) e Baptista Júnior (Força Aérea) a aderirem à trama do golpe.
“A partir do momento, segundo consta no denúncia, principalmente o comandante Freire Gomes não teria dado seu apoio ao golpe, à tentativa de romper o Estado Democrático de Direito, ele passou a ser atacado nas redes sociais de maneira a pressioná-lo”, relatou Moraes.
Dinheiro em caixa de vinho
Assim como os demais réus interrogados, o militar afirmou que “não é verdadeira a acusação” que pesa contra ele.
Questionado por Moraes sobre a entrega de valores em uma caixa de vinho aos militares ‘”kids pretos”, Braga Netto disse que achou que o dinheiro se tratava de recurso para gastos de campanha remanescentes.
Na delação, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, afirmou que teria recebido ordens do general para enviar dinheiro aos militares responsáveis por um plano para assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o próprio Moraes.
“O que tem de real aí, presidente, há um equívoco nesse ponto. O Cid veio atrás de mim e perguntou se o PL podia arrumar algum dinheiro. Era muito comum, outros políticos, através ou do presidente Valdemar, ou do presidente Bolsonaro, pediram para pagar contas de campanhas atrasadas”.
“Na minha cabeça, tem alguma coisa a ver com campanha. Eu viro pra ele e falo: ‘procura o tesoureiro, que é o Azevedo’. Eu deixei com o Azevedo, porque eu não sabia o que era”, prosseguiu.
Ele afirmou que não tinha contato com empresários, que não pediu dinheiro a ninguém, nem entregou recursos para Cid.
“Eu não tinha dinheiro, não tinha contato com empresários, eles estavam mais interessados no Bolsonaro”.
Plano para assassinar Lula
Questionado sobre as operações Punhal Verde Amarelo, e Copa 2022, ele disse: “ministro, eu nunca tinha ouvido falar dessas duas operações”.
O plano “Punhal Verde e Amarelo” previa o assassinato de autoridades – o presidente Lula; o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. A ação ocorreria como um desdobramento do golpe de Estado em 2022, caso ele fosse consumado.

