Vídeo mostra ex-diretor do presídio da Bahia invadindo quarto e executando namorada após festa
O Ministério Público de Sergipe (MPSE) divulgou um vídeo com detalhes da investigação sobre a morte da empresária Flávia Barros, assassinada a tiros durante uma viagem a Aracaju. Segundo a denúncia apresentada pela 3ª Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri, o autor do crime foi Tiago Sóstenes Miranda, ex-diretor de um conjunto penal da Bahia e policial penal, que teria invadido o quarto de hotel onde a vítima estava hospedada antes de executá-la.
De acordo com o MP, o crime ocorreu em um hotel localizado no bairro Coroa do Meio, na Zona Sul da capital sergipana. As investigações apontam que Tiago arrombou a porta do quarto e efetuou vários disparos à curta distância, atingindo principalmente a cabeça da empresária, que estava deitada na cama no momento da execução.
Ainda conforme a denúncia, a arma utilizada foi uma pistola calibre .40 de uso restrito pertencente à Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia. O acusado tinha autorização funcional para portar o armamento por integrar o sistema prisional baiano. Preso preventivamente, ele permanece custodiado no Presídio Militar de Sergipe.
As apurações indicam que o relacionamento entre Flávia e Tiago era marcado por episódios de ciúmes, comportamento controlador e atitudes possessivas. O Ministério Público afirma que, dias antes do assassinato, a empresária havia encerrado o namoro após o então companheiro efetuar disparos para o alto durante uma festa em Paulo Afonso, no interior baiano. Depois de insistentes pedidos de desculpas, no entanto, ela teria aceitado reatar o relacionamento.
O MP também sustenta que o policial penal escondia da vítima o fato de ser oficialmente casado e manter uma família em outro estado. Mesmo assim, segundo a investigação, ele se apresentava publicamente como noivo da empresária.
Na noite anterior ao feminicídio, o casal participou de uma festa em Aracaju acompanhado de amigos. Conforme a denúncia, Tiago demonstrou irritação durante o evento, deixou o local sozinho e passou a aguardar a chegada de Flávia na área externa do hotel. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ele tentou contato telefônico antes de invadir o quarto.
Para o Ministério Público, o homicídio foi motivado por razões ligadas à condição do sexo feminino e ocorreu em contexto de violência doméstica e familiar. A Promotoria pediu que Tiago seja submetido a júri popular por feminicídio consumado, com agravantes por uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e utilização de arma de fogo de uso restrito.
O órgão também solicitou novas diligências, entre elas a conclusão de laudos de balística, toxicologia e perícia em aparelhos eletrônicos apreendidos no caso, incluindo celulares e um notebook. Além disso, o MPSE requisitou à Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia o envio do histórico funcional do servidor e o compartilhamento das provas com a Justiça de Paulo Afonso, onde ele também é investigado pelos disparos feitos durante a festa dias antes do assassinato.

