Del Feliz detona debate sobre cachês e defende Flávio José: “Uma vergonha”
O cantor Del Feliz não poupou esforços para criticar o debate acerca dos cachês no São João da Bahia. Até o momento, quase 50 atrações firmaram acordo com o Ministério Público da Bahia (MP-BA) para reduzir valores de contratos e, assim, adequar-se às normas estabelecidas pelo órgão.
“Isso não resolve nada. Isso e nada é a mesma coisa, com todo o respeito. Eu não tenho direito de dizer que o cachê de fulano é R$ 8 mil, R$ 1 milhão, R$ 2 milhões. Isso não resolve o problema. Não é justo, não é constitucional. Agora, R$ 700 mil é muito dinheiro? Sim. Eu ainda acho que é um cachê muito alto, mas cabe aos prefeitos o bom senso”, pontuou.
Na Bahia, contratos com valor acima de R$ 700 mil entrarão em uma faixa de atenção especial, segundo o MP-BA.
As declarações de Del aconteceram em entrevista concedida à imprensa na noite de quarta-feira, 10, durante o lançamento oficial do São João da Bahia de 2026.
“É preciso respeitar Flávio José”
O forrozeiro aproveitou para sair em defesa do colega Flávio José, que deixou a Bahia de fora da sua programação do São João. A agenda dele foi divulgada após uma reunião do cantor com o MP-BA, que chegou ao fim sem nenhum acordo entre as partes presentes.
O encontro aconteceu na última segunda-feira, 8, e o objetivo era chegar a um consenso a respeito do cachê do artista.
“Essa iniciativa deveria partir de quem se predisponha a dizer que vai ajudar a festa. Esse seria o passo para uma festa mais autêntica. Flávio José com um cachê de R$ 350 mil é muito mais compreensível do que qualquer outra atração que não tem nada a ver com o São João que recebe R$ 1 milhão e continua vindo para cá”, afirmou.
Assim como em 2025, o arrocha é o gênero que domina as contratações do São João da Bahia em 2026. É o que revela o Painel da Transparência dos Festejos Juninos, divulgado pelo Ministério Público.
No ano passado, o ranking foi liderado pela banda Toque Dez, que fez 39 shows e faturou R$ 11,2 milhões. Neste ano, a banda repetiu o feito, com 41 contratações.
Já os maiores cachês são de artistas sertanejos. Gusttavo Lima tem o maior valor entre os contratos. Ele vai fazer apenas um show e vai faturar R$ 1,5 milhão.
Depois vem Zé Neto e Cristiano (mais de R$ 2,7 milhões por três shows, cada um no valor de R$ 905 mil) e Ana Castela (R$ 900 mil por um show).
Além disso, Del Feliz ressaltou que o discurso de que a festa precisa dos nomes que estão na mídia para atrair o público “é uma vergonha”.
“A pessoa deveria ter vergonha de falar isso. Ninguém sai de outro estado, ninguém sai de uma cidade distante e vem pra cá, para o São João do Nordeste, para assistir um show de arrocha e sertanejo, com todo respeito”, opinou.
O artista finalizou dizendo que as pessoas já têm “milhares de opções para assistir a shows de sertanejo, de arrocha e pagode. Eu nem estou sendo radical dizendo que eles não deveriam estar na nossa festa. Agora, as pessoas que organizam essa festa deveriam ter esse respeito com a nossa essência”.
Recomendação do MP-BA
O MP-BA tem encaminhado recomendações aos municípios para que eles adequem as contratações de atrações artísticas aos parâmetros estabelecidos pela instituição e Tribunais de Contas (TCM e TCE).
O órgão pede que as contratações tomem como referência a média dos valores pagos aos artistas em 2025, atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com o objetivo de “evitar aumentos excessivos de cachês custeados com recursos públicos”.
“Nas últimas quatro edições dos festejos juninos na Bahia, observou-se uma significativa escalada nos valores das contratações artísticas, com a média dos contratos passando de aproximadamente R$ 200 mil para cerca de R$ 700 mil”, afirmou a entidade.
Já foram enviadas recomendações a mais de 100 municípios, incluindo aqueles que anunciaram contratações de Flávio José, pelo valor de R$ 350 mil, um aumento de R$ 100 mil em relação ao ano passado.
A economia já é superior a R$ 21 milhões aos cofres públicos. As reduções negociadas impactam diretamente 620 contratos em mais de 200 municípios baianos.
Flávio José recusou propostas do MP-BA
O cantor Flávio José deixou a Bahia de fora da sua programação do São João de 2026. O artista divulgou, na terça-feira, 9, a agenda oficial de apresentações. Ele confirmou 14 shows ao longo do mês de junho, todos em outros estados do Nordeste.
A agenda de Flávio sem a Bahia foi divulgada após uma reunião do cantor com Ministério Público da Bahia (MP-BA), que chegou ao fim sem nenhum acordo entre as partes presentes.
O encontro aconteceu na última segunda-feira, 8, e o objetivo era chegar a um consenso a respeito do cachê do artista.
Ao portal A TARDE, a promotora do MP-BA, Rita Tourinho, contou que o cantor não aceitou nenhum tipo de negociação e “não aceita reduzir nenhum real do contrato dele”.
“Isso coloca o Ministério Público em uma situação complexa, porque nós já fechamos acordo com diversos artistas que também são consagrados, como Adelmário Coelho, que é a nossa prata da casa e tem acordo com o MP-BA. Amado Batista, Elba Ramalho e Alceu Valença também. Os empresários deles sinalizaram que estão de acordo”, revelou.

