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Herança da pandemia, voto virtual na Câmara permite que Motta vote temas sensíveis com plenário esvaziado

Legado da pandemia do novo coronavírus, o Sistema Remoto de Votações (SDR) na Câmara dos Deputados surgiu para manter a Casa em funcionamento apesar das medidas de restrição, mas se tornou mecanismo de “defesa” dos parlamentares na análise de projetos sensíveis.

O sistema de votação remota virou instrumento de poder na mão do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Lira flexibilizava o regime de votações conforme as matérias em pauta no plenário, como faz agora o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB). (veja mais detalhes aqui)

🤳 Especialistas enxergam que, por um lado, o sistema aumentou a produtividade legislativa, mas que o voto virtual tem contribuído para o esvaziamento do plenário em discussões importantes.

Apesar da não exposição nas discussões no plenário, os deputados não conseguem escapar do desgaste nas redes sociais, como a publicação de listas de como votou cada deputado, separados por partidos, estados, que acabam expondo os deputados à opinião pública.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com o projeto que criou um pacote de benefícios a partidos políticos.

💻 Desde o fim da pandemia, “sessão presencial” é sinônimo de registro de presença física em postos instalados no plenário, mas com voto liberado por aplicativo. O regime semipresencial permite registro e voto pelo aplicativo.

Por isso, apesar de constar na pauta uma sessão presencial, o voto por aplicativo dispensa o parlamentar de estar no plenário para votar e discutir a matéria (leia mais abaixo). Atualmente, a Câmara exige votação presencial apenas às quartas-feiras, das 16h às 22h.

Benefícios a partidos e igrejas

Os deputados votaram o projeto que pretende limitar multas partidárias, blindar novas legendas e proibir sanções no semestre da eleição com voto virtual.

Poucos parlamentares estavam no plenário na hora da votação e apenas quatro discursaram.

Outro texto que teve aval virtual da maioria dos parlamentares foi a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a imunidade tributária das igrejas e permite a compra de carros, jatinhos e a contratação de serviços por igrejas e templos sem pagar impostos.

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