Wagner Lopes reclama da atuação do Vitória: ‘Era para ter sido mais que 3×0’

A má fase do Vitória parece longe de acabar. Neste sábado (2), o Leão perdeu mais um jogo, para o Goiás, por 3×0, e ampliou sua sequência negativa na Série B. Agora, já acumula seis partidas sem ganhar, além de cinco sem marcar um gol sequer. Não só isso, mas foi seu pior resultado na competição. Até então, a equipe não havia sofrido derrotas com placar superior a um gol de diferença.

O desempenho do rubro-negro no estádio da Serrinha, em Goiânia, foi duramente criticado pelo técnico Wagner Lopes. Para o treinador, a equipe correu o risco de sofrer um revés ainda pior, já que o Esmeraldino criou muitas chances de gol no confronto.

“Hoje nós não duelamos. Hoje, foi um dia em que perdemos todas as divididas, perdemos na vontade, na garra, na raça. E eles jogando com ímpeto, com uma intensidade gigante e nós sentimos isso. Perdemos os duelos de um contra um. Não conseguimos duelar com a força necessária para truncar o jogo. Série B é jogo truncado, de ocupação de espaço, de se impor fisicamente. Hoje, não tivemos uma reação vencedora”, disse.

“Era para ter sido mais que 3×0. Eles criaram mais oportunidades, tiveram bola na trave. Foi um dia muito ruim pra nós, nós jogamos muito abaixo do que podemos jogar. Eu, como treinador, sempre vou assumir a responsabilidade. Mas deixamos a desejar”, completou Wagner.

A situação do Vitória na Série B está complicada. Com a derrota, o Leão estacionou na 18ª colocação, com 26 pontos. A questão é que a distância para o primeiro time fora da zona de rebaixamento é de seis pontos. E, mesmo que o rubro-negro ganhe os dois próximos jogos e os adversários acima percam, ainda não conseguirá sair do Z4, já que leva desvantagem nos critérios de desempate.

Vale lembrar que a equipe só tem mais dez partidas pela frente, até o fim da competição. Mas, mesmo com um cenário tão tenso, Wagner Lopes ainda vê uma recuperação como algo possível.

“Eu sei que não é fácil, mas acredito muito nos homens que temos no elenco. Hoje fizemos um jogo horrível, digno de se esquecer. Mas não adianta abaixar a cabeça. Precisamos continuar acreditando, continuar passando confiança, que é possível sim. Nosso campeonato é contra Brasil de Pelotas, Confiança, Ponte Preta, que a gente ainda vai enfrentar”, afirmou.

“Ainda há muitas rodadas pela frente, acho que a gente vai conseguir. A gente ainda vai conquistar pontos e vai ter confronto direito. Não podemos entender que já caímos. Tivemos um dia ruim, mas é dar a volta por cima, treinar melhor, para poder reagir como precisa para vencer os jogos”.

O Vitória agora terá uma semana livre para treinar até o próximo compromisso. O time só volta a jogar no próximo sábado (9), às 19h, no Barradão. Enfrentará o Confiança, um adversário direto no Z4, pela 29ª rodada da Série B. 

Confira outros trechos da entrevista de Wagner Lopes:

As ideias acabaram?
As ideias não acabaram. Acontece que a execução não depende do treinador. Treinador passa as ideias para o jogado, mas é óbvio que, quando a execução é malfeita, a responsabilidade é minha. Não vou deixar de assumir isso. Mas hoje, não conseguimos jogar, não conseguimos duelar como a gente precisa, principalmente na imposição física, de ocupar espaço, de ganhar as divididas, de ser mais forte que o adversário. Hoje, não fizemos isso. As ideias são muitas. Mas a execução não foi bem-feita.

Como explicar um desempenho tão ruim?
Eu nunca vou transferir a responsabilidade para os meus jogadores. Mas nós, com a bola dominada, em duas situações, demos o gol, de errar, de dar o passe por dentro, sendo que o correto era fazer a bola longa, de segurança, mesmo sabendo que o time deles é perigoso, que rouba essa bola. É difícil explicar por que os erros acontecem, mas é nessa hora que a gente precisa levantar a cabeça e trabalhar forte para, no próximo jogo, jogar melhor, mais intenso nas divididas, se impor fisicamente. Pode ter certeza de que é o que vamos fazer.

O que dizer o torcedor neste momento?
Pedir apoio, pedir desculpa. Dizer que estamos buscando as melhores soluções. Hoje, nosso desempenho foi muito ruim. É óbvio que a gente não queria perder, muito pelo contrário. Mas o rendimento foi bem abaixo. Erros que a gente não pode cometer, como a saída de bola, forçar o passe por dentro. Situações que você pode truncar o jogo, fazer a falta tática, defender melhor o seu gol. E nós entregamos dois gols em saídas que estávamos com a bola dominada. Claro que eu sempre vou ser o responsável. No terceiro gol, a gente tinha colocado o Fabinho para não deixar o David Duarte correr para cabecear. Isso foi treinado, foi falado, mas não conseguimos executar. Isso acarretou na derrota. Mas não adianta ficar com a cabeça para baixo. Tem que olhar para frente, trabalhar, recuperar os caras. Nosso campeonato não é contra Botafogo, Goiás, embora a gente quisesse vencer. Hoje foi um dia infeliz para nós.

O que esperar é possível esperar do time?
Você não analisa onde foi feita a definição das jogadas, você tem que olhar o começo dela. Se a gente faz a bola longa, ao invés de jogar no Fernando de costas, você fecha a casinha. Se você joga para fora, organiza o time e não toma o gol. Os nossos erros não foram só do lado esquerdo. Começou do lado direito, passou pelo meio e depois foi para o outro lado. Tem que analisar o contexto todo. No lado esquerdo, o Renan foi para o duelo individual com Luan Dias e o cara fez o gol. Mas, antes de chegar ali, houve processos. Teve uma circulação de bola, a gente perdeu a bola, não conseguiu pressionar, não conseguir encurtar. É muito fácil, depois, colocar a culpa na lateral esquerda. A culpa é do Wagner. Pode ter certeza de que a gente conversa para evitar forçar o passe por dentro, mas no primeiro gol, o Wallace podia ter feito a bola longa, poderia ter dado no Raul, para não jogar no volante de costas. Depois, na reação, não conseguimos tomar a bola. É o conjunto todo. É a defesa inteira. E não é só a defesa, são os volantes, os meias, os atacantes. A responsabilidade é minha. Hoje foi um dia muito ruim, a reação foi demorada, não vencemos os duelos. Foi uma tarde infeliz.

David sem espaço
Ele perdeu espaço devido aos erros que cometeu nos jogos. Não vinha rendendo o que eu esperava, não vinha fazendo o que eu estava pedindo. Ele teve três jogos como titular, foi usado seguidas vezes e não rendeu o que eu estava esperando. É óbvio que a gente tem o sistema de trabalho de meritocracia. Ele está esperando a vez dele. Está se esforçando, está treinando. Quando merecer de novo, vai jogar.

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