Comunidades judaicas criticam encontro de Bolsonaro com deputada alemã de extrema direita

O encontro do presidente Jair Bolsonaro com a deputada alemã Beatrix von Storch, neta do ministro das Finanças de Adolf Hitler, foi criticado por comunidades judaicas no Brasil.

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) soltou nota na qual critica o partido de extrema direita do qual von Storch é vice-presidente – o AfD (Alternativa para a Alemanha). “Trata-se de partido extremista, xenófobo, cujos líderes minimizam as atrocidades nazistas e o Holocausto”, disse em nota a Conib.

O avô da deputada foi Lutz Graf Schwerin von Krosig, um dos principais pilares políticos do governo nazista. Entre 1932 e 1945 ele serviu como Ministro das Finanças da Alemanha e, após a morte de Adolf Hitler e Joseph Goebbels, assumiu como chanceler ou chefe de estado substituto do governo nazista antes da ocupação militar do leste alemão pelos soviéticos e do oeste alemão pelos ingleses e estadunidenses.

Já o partido de Beatrix von Storch, a AfD, fundada em 2013, é considerada a mais conservadora do país e foi acusada diversas vezes por defender ideias negacionistas, racistas, antissemitas e xenófobas. Em março de 2021, a agência de inteligência da Alemanha colocou o partido em vigilância depois que o serviço secreto identificou uma série de violações da democracia e dos valores constitucionais do país.

A Conib é liderada pelo presidente do Conselho da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, Claudio Lottenberg. Ele foi próximo a Bolsonaro e participou de reunião do presidente com empresários em São Paulo em abril.

O coordenador-executivo do Instituto Brasil Israel (IBI), Rafael Kruchin, também criticou a aproximação de Bolsonaro com Beatrix. “A AfD tem características xenófobas, supremacistas, contra imigração. Não é algo disputado internamente, é pacificado”, afirmou. Estudioso da política alemã, ele chamou o encontro de “abraço de afogados”.

“A AfD está isolada e não conseguiu alianças internas no parlamento. Bolsonaro está em seu pior momento. Tentaram mostrar alguma força externa ao se encontrarem, mas parece um abraço de afogados”, afirmou.

Um dos fundadores do grupo Judeus pela Democracia Beni Iachana chamou o encontro de “perigoso e inaceitável”.

“O presidente do Brasil, seu filho e a presidente da CCJ, encontrarem uma deputada líder do partido de extrema-direita, xenófobo e nazista é algo que nos assusta, não apenas como judeus, mas também como brasileiros”, disse.

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