Material didático do Itamaraty reafirma ideologia bolsonarista e ataca Lula e MST

A carga ideológica presente no material didático utilizado pelos 24 Centros Culturais Brasileiros (CCBs) espalhados pelo mundo tem chamado atenção. O conteúdo, que foi renovado com o início da gestão do governo Bolsonaro apresenta, entre outros pontos questionáveis, ataques ao presidente Lula e ao Movimento Sem Terra (MST). O ensino da Língua Portuguesa em sua vertente brasileira é uma das competências desses espaços e o material é produzido por equipes contratadas pelo Itamaraty através do Departamento de promoção de Língua Portuguesa. 

 
Na rede social Twitter, a situação ganhou destaque nesta terça-feira (14) após publicação de trechos do material pela jornalista Júlia Dolce.


De acordo com a publicação, em trecho proposto a facilitar a apreensão e conjugação dos verbos da vertente brasileira da língua são utilizadas frases de referência, a exemplo da que segue: “Se eu soubesse que o Lula seria tão corrupto e se envolveria com o Mensalão, eu não teria votado nele”. Neste ponto, a orientação para o estudante é a conjugação do verbo no modo subjuntivo, neste caso, o pretérito imperfeito do verbo “saber”. Uma nota de rodapé explica o “Mensalão: O maior esquema de corrupção descoberto no Brasil”.


Em outro momento, a proposta é a aplicação na frase dos verbos “apropriar/conseguir”.  A o estudante deverá completar a sentença: “Se o MST se _____ de nossas terras, nunca mais ______reavê-las”. 


O material didático distribuído pelo órgão brasileiro é utilizado por estudante em aprendizado da língua brasileira nas cidades de Assunção, Barcelona, Guiné Bissau, Beirute, Buenos Aires, Cidade do México, Georgetown, Helsinque, La Paz, Lima, Luanda, Maputo, Nicarágua, Panamá, Paramaribo, Porto Príncipe, Praia, Pretoria, Roma, Santiago, São Domingos, São Salvador, São Tomé e Tel Aviv. 


“No que tange aos cursos de português, os CCBs oferecem módulos diversos, direcionados a diferentes objetivos. Destacam-se os cursos que preparam os alunos para o CELPE-Bras, bem como para o exercício de determinadas atividades profissionais que demandam a proficiência em português brasileiro. Entre elas, destacam-se a diplomacia e funções jurídicas e militares em países fronteiriços ao Brasil”,  diz a página oficial do Ministério das Relações Exteriores. O ministério é comandado por Ernesto Araújo. 


A versão digital dos materiais não estão mais disponíveis no endereço eletrônico do ministério. 

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